Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Propagação do VIH/Sida poderá ser evitada/Casais Serodiscordantes

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Casais serodiscordantes, quando um possui o vírus e o outro não.


Estudos recentes confirmam que o tratamento do VIH também previne novas infecções. Para os cientistas, desde que o paciente esteja medicado, a transmissão por via sexual é quase impossível. Há poucas semanas, na XVII Conferência Internacional da sida, voltou a ser reavivada a possibilidade de diminuir drasticamente o número de infectados, através de um método que estava mesmo à frente dos nossos olhos. Os anti-retrovirais, medicamentos usados no tratamento do VIH/Sida, podem contribuir para uma redução drástica da transmissão do VIH por via sexual. Esta teoria, sustentada por Myron Cohen, professor na universidade norte-americana da Carolina de Norte, debruça-se sobre o facto de praticamente não existirem vírus no sangue e nos fluidos genitais de infectados com VIH, desde que estejam devidamente medicados. Diminuem, assim, as possibilidades de transmissão do vírus durante as relações sexuais.
Os resultados de Cohen baseiam-se num estudo que envolve 1750 casais serodiscordantes, ou seja, casais em que um parceiro está infectado e o outro não, de forma a poder comprovar se a adequada administração de anti-retrovirais diminui as probabilidades de transmissão. Há ainda outros dados e opiniões a suportar a teoria de Cohen. "Ao tratar as pessoas, conseguimos com que não haja vírus circulantes no sangue e na maioria dos casos isso tem um acompanhamento da redução dos vírus nos fluidos genitais.
Um doente tratado é um doente em que a probabilidade de transmitir a infecção para outras pessoas é de facto muito baixa.
Voltando à conferência do México, Júlio Montaner, do Centro de Excelência do VIH na Colômbia Britânica, no Canadá, demonstrou que o aumento da cobertura de tratamento com anti-retrovirais dos actuais 50% para os 75% levaria a uma queda de novas infecções da ordem dos 30%. "Já sabíamos que a expansão do tratamento podia ajudar a reduzir o número de novos infectados, mas ficámos surpreendidos com o número real de infecções que podem ser evitadas", declarou Montaner.
Assim sendo, este seria um óptimo argumento para alargar o tratamento a muitos milhares de pessoas, já que vários países ainda se mostravam relutantes em financiar estes medicamentos, que atingem preços exorbitantes.

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